O primeiro post de 2015 pretende trazer um lugar inusitado e até pouco conhecido dos moradores de São Caetano: a Capela Santo Antonio. Neste texto, escrito pela historiadora e pesquisadora da Fundação Pró-Memória Priscila Gorzoni, saiba onde ela se localiza e conheça a sua história.
Boa leitura!
Uma capela perdida no tempo

Apesar
de pequeno e escondido, este é um local interessante. As paredes são de
azulejos bem azuis, o que faz um belo contraste com os portões brancos. Apesar
da simplicidade, ela se destaca das casas em sua volta. É uma construção que
ficou no tempo, na história de São Caetano do Sul. Como uma foto em preto e
branco que fala por si só...
A
‘verdadeira’ Capela Santo Antonio foi construída em 1924 por Ricardo Mariani
Molinaro, e ficava na antiga Rua Santo Antônio, atual Avenida Senador Roberto
Simonsen. Ela foi demolida e reconstruída em 1960, no atual endereço.
Esse
é sem dúvida um dos pontos mais interessantes e importantes para se visitar na
cidade. Assim como a Santo Antônio, em todo o Grande ABC surgiram várias
capelas em devoção a diversos santos, mas ele parece ter sido o privilegiado. Os
antigos moradores explicam essa predileção de uma maneira inusitada. Diziam que
as famílias assentadas no Núcleo Colonial confundiram, em principio, a imagem
de São Caetano, existente na primitiva capela local, com a de Santo Antônio,
porque eram muito semelhantes e ambas carregavam o Menino Jesus nos braços.
A
Capela Santo Antonio foi construída pela família de João Molinari em
retribuição a um milagre. Contam que no verão de 1919 desabou um temporal em
São Caetano e a família colocou-se a rezar em torno do oratório que guardava um
Santo Antônio trazido de Modena, na Itália, em 1885. Nesse momento, uma faísca
afetou o telhado e atingiu o oratório, sem causar danos maiores, deixando a
imagem do santo ilesa e, inclusive, mantendo as suas velas acessas.
Assustados
com o milagre, a família construiu uma capelinha e sobre a porta de ferro
colocou uma placa de mármore com os seguintes dizeres: “Capela Sant Antonio,
Ricordo di Mariana Molinari - 1924”. O local continua preservado e até hoje
abriga a imagem centenária.
Curiosidade - Os Molinari
vieram da Itália para São Paulo e, em 1894, mudaram-se para São Caetano, onde
passaram a morar no Bairro Cerâmica. A primeira atividade dos Molinari foi
cultivar a terra para construir sua casa de madeira roliça e portas
improvisadas de caixões, na Rua Projetada, que depois ganhou o nome de Santo
Antônio, em função da Capela Santo Antônio. Os primeiros Molinari eram Giovanni
Molinari e sua mulher, Mariana Nery Molinari.
Aqui,
eles foram recebidos pelos Cavana, que viviam em uma colônia, então localizada no
cruzamento da Avenida Senador Roberto Simonsen com a Rua Baraldi. Os Molinari e
os Cavana tornaram-se grandes amigos e seus filhos até se casaram. Nos
negócios, se fixaram no Bairro Cerâmica e abriram uma fábrica de colchão
chamada Giovanni Molinari & Figli.
Outra
atividade que a família desenvolveu foi o beneficiamento de caulim. O produto
era extraído na Vila Nossa Senhora das Mercês. Eles arrendavam as terras,
venciam a mata virgem, andavam de carros de boi até chegar à cava. Carroças e
carroções retornavam com caulim até a Estação São Caetano, de onde o produto era
enviado aos compradores.
Referências bibliográficas:
Antônio,
santo dos italianos, dos portugueses... e de todo mundo, Valdenízio Petrolli,
Revista Raízes 13.
Era
uma vez... (crônica de uma época), Jayme da Costa Patrão, Revista Raízes 4.
Migração e Urbanização:
a presença de São Caetano na região do ABC, Ademir Medici.
Nenhum comentário:
Postar um comentário